Posts Tagged ‘Entrevistas’

Postado por André, April 14th, 2009
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Segue abaixo uma entrevista traduzida com o Miyazaki realizada por Devin Gordon da revista Newsweek. A entrevista, de Junho de 2005, mostra um lado um pouco diferente do diretor que abre uma exceção ao conversar com o repórter.

Conhecer Hayao Miyazaki, o melhor diretor vivo do Japão, não é como ver um de seus filmes. O homem veste-se inteiramente em cinza e possui um senso de humor fatalista e sombrio. Enquanto isso seus filmes, ‘Totoro’, ‘Mononoke Hime’ e sua obra prima ‘Chihiro’ são encantadores como um sonho fantástico e psicodélico. O diretor, de 64 anos é uma lenda entre os animadores americanos e em seu país é equivalente a Steven Spilberg. Miyazaki raramente fala publicamente, mas assim que seu ultimo milagre, ‘Castelo Animado’, chegou aos cinemas norte-americanos, na ultima semana, ele abriu uma exceção e sentou-se junto a Devin Gordon da Newsweek.

GORDON – Porque você abriu essa exceção?

MIYAZAKI – Eu pensei, “Ah, que se dane.” [risos] E fico com pena do meu produtor que tem que responder a todas as entrevistas.

GORDON – Você espera que seus filmes façam tanto sucesso aqui quanto eles fazem no Japão?

MIYAZAKI – Quando eu faço um filme, penso apenas no público japones. Claro que eu fico alegre de saber que pessoas de outros países gostam dos filmes. Apesar disso, não vejo meus filmes como um negócio internacional. [risos] Acho que meu produtor deve dizer o exato oposto.

GORDON – Você ficou surpreso de ‘Chihiro’ ter ganho o Oscar?

MIYAZAKI – Na verdade, seu país acabou de entrar em guerra com o Iraque, e eu tive muita raiva disso. Por isso eu fiquei um pouco exitante sobre o prêmio. E de fato, eu tinha acabado de começar a produzir ‘Castelo Animado’, então o filme foi profundamente afetado pela guerra do Iraque.

GORDON – É também um dos raros filmes infantis que tratam sobre o envelhecimento. Sua protagonista é uma jovem garota que é transformada em uma senhora de 90 por uma bruxa.

MIYAZAKI – Eu fiz esse filme para poder mostrá-lo mara um jovem garota de 60 anos. [risos] O maravilhoso da história é que o final feliz não está no feitiço quebrado e  sim no fato dela esquecer a idade que tem.

GORDON – O filme não segue o padrão das histórias Ocidentais.

MIYAZAKI – Muita gente disse que não entendeu o filme, e isso quer dizer apenas que eles têm uma idéia fixa de como uma história deve ser contada. Quando a história não corresponde à suas expectativas, eles reclamam. Acho que isso é ridículo. Meu pai, quando velhjo, assistia apenas a programas de TV, cujo final ele conseguia prever nos 3 primeiros minutos. Ele dizia: “Eu conhsigo entender isso.” Mas apesar de tudo, acho que é um desperdicio de tempo tentar mudar as pessoas.

GORDON – Numa entrevista, o diretor de “Ghost in the Shell”, Mamoru Oshii afirmou que no fundo, você sonha em ‘destruir o Japão’ e fazer filmes repletos de sangue e massacres.

MIYAZAKI – [risos] Não é que eu quero destruir o Japão. Eu só prevejo que ele será destruído. Oshii e eu somos amigos, por isso nós sempre conversamos sobre isso.

GORDON – Tudo bem, mas o que fez ele achar que você se sente assim sobre o Japão?

MIYAZAKI – Talvez seja por que eu digo coisas como ‘Cara, como eu queria que o grande terremoto se apressasse e viesse para cá.’ [risos] Meus pensamentos são muito pessimistas, mas meu jeito de ser, por outro lado, é muito positivo.


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Postado por André, August 26th, 2008
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Continuação da Entrevista com Hoshino, Miyazaki e Suzuki publicada no começo dos mês. A entrevista agora continua seguindo um rumo diferente: As novas contratações do Studio Ghibli.

KOJI HOSHINO “Nós recrutamos novatos todos os anos?”

MIYAZAKI “Nesses últimos anos, nós não fizemos isso. Eu pedi para que o recrutamento parasse.”

HOSHINO “Porque vocês pararam?”

MIYAZAKI “Todo anos nós costumávamos contratar 4 ou 5 novatos. Apesar disso, eles eram logo incorporados no grupo dos mais antigos e por isso acabavam não trazendo nada de novo para o estúdio. Eles não se comportavam como novatos. Nenhum ar de novidade vinha deles, então parei de contratar. Atualmente, a indústria de animes importa seu trabalhadores de países extrangeiros como China ou Filipinas. Por isso a relação entre empregados e empregadores não é mais tão apertada como costumava ser. Nós podemos trazem gente de fora facilmente hoje em dia.”

HOSHINO “Você quer dizer que o volume de animes está diminuindo?.”

MIYAZAKI “Pelo menos no Japão está sendo assim. [...] Basicamente os animadores que eram recrutados regularmente não são curiosos e não tem interesse em outras pessoas. Eles não querem influenciar e nem serem influenciados. Normalmente eles trabalham usando fones-de-ouvido. Mas eu não sei o que estão ouvindo. Acho que eles são um grupo de merda. Falei demais (rindo)? De qualquer forma, nosso pessoal percebeu que bons filmes não podem ser feitos somente pelos animadores mais antigos. Então nós trocamos nossa política e estamos recrutando jovens desenhistas.

HOSHINO “Quantas pessoas vocês vão pegar?”

MIYAZAKI “Mais ou menos 20 de uma vez. Se nós pegássemos aos poucos, eles seriam logo englobados pelo grupo. Basicamente, o valor de se criar um estúdio é manter o tronco. Se precisássemos de mãos ou cabeças novas, poderíamos pegá-las de fora. O tronco precisa ser um grupo de pessoas confiáveis e pacientes. Mas isso não é fácil de se manter.”

HOSHINO “Você quer dizer então que você vai construir o tronco com os novatos?”

MIYAZAKI “Isso mesmo. Nosso tronco está um pouco deteriorado (risos). Uma vez que estivermos com nossos animadores e ensinarmos tudo a eles. Assim eles irão se tornar profissionais e nós teremos nosso investimento de volta.

HOSHINO “Você vai ter algo a mais do que semear dinheiro (risos)?

MIYAZAKI “Sim. Na verdade vou grelhá-los como rabanetes e espreme-los (rindo). Fazer uma animação significa sugar o sangue dos jovens talentos como um vampiro.

SUZUKI “Mas eu não consigo mais sugar todo esse sangue. O tronco está agora em pele e osso. Só consigo sugar água, mas sangue não. Então precisamos renovar o tronco. Se conseguirmos reconstruí-lo, pode ser que brotem também uma cabeça e mãos. Eu não quero que esses novatos sejam influenciados pelos veteranos que já tem seu talento lapidado. Também quero que eles tenham uma vida estável e tranqüila, o que significa que o treinamento será em uma cidade pequena.

“Eu devo Avisá-los: Vocês vão passar um ano e meio como um monge. Sem ver nada; sem informações ou notícias. Levantar cedo, vir para o instituto as 9 da manha e trabalhar duro até as 5 da tarde. Durante esse período vocês não poderão utilizar celulares, e-mails ou iPods. Deverão se dedicar em ver o mundo e desenha-lo. Então nós iremos garantir seu salário e existência. Você pode aprender tudo o que precisa, mesmo se for em uma cidade rural. Se você aguentar isso por um ano e meio, vai ter como resultado algo bem melhor do que 10 anos de enbromação em Tokyo.

HOSHINO “Vocês pretendem recrutar pessoas que já tenham experiência?”

MIYAZAKI “Não, Nós estamos procurando por verdadeiros novatos. Eu irei ensiná-los como se desenhar. Se eles conseguirem completar a curta metragem e puderem ver as crianças se divertindo no museu quando a curta for exibida, eles ficarão mais confiantes.”

SUZUKI “Nós podemos até acabar encontrando um grande talento entre eles.”

MIYAZAKI “Eu visitei o Aardman Studio na Inglaterra. Ao invéz de ser em Londres, ele fica em Bristol, a uma hora de trem de Londres. Bristol é só uma pequena cidade. Ao redor do estúdio exitem apenas algumas fábricas e verde, nada mais. No estúdio tem uma lanchonete muito legal comandada por dois chefs. Os dois altos e musculosos. Acho que aos domingos ele vão para o estádio de futebol. Eu quero chefs como aqueles… (risos)”

Considerações à parte…

Essa nova política de recrutamento remete à época em que Miyazaki estava procurando um substituto para poder aposentar. O lançamento de Mimi wo Sumaseba, em 1995 é uma prova disso. Yoshifumi Kondo era um dos maiores talentos do Studio Ghibli e seu primeiro filme mostrava que ele estava pronto para fazer animações de qualidade. Com sua morte, porém, 3 anos depois foi uma grande desilusão para todo o estúdio. Com a perda de um dos melhores diretores da época, todos os planos de Miyazaki foram por água a baixo e isso fez com que o corpo do Studio Ghibli se deteriorasse, como foi dito na entrevista. Hoje, 10 anos depois da trágica morte de Kondo, Miyazaki parece querer tentar mais uma vez.

É um grande passo na história do Studio Ghibli. Essas novas contratações significam que muito provavelmente Miyazaki ficará pelo menos 2 anos sem se dedicar a nenhuma outra longa. E todo esse tempo será preciso para definir o futuro do estúdio. Tenho altas expectativas e boas esperanças.

Isso é tudo pessoal!

Parte 1




Postado por André, July 28th, 2008
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No tradicional programa de rádio japonês do Studio Ghibli (Ghibli Asemamire) da semana passada, o diretor Hayao Miyazaki em pessoa foi falar um pouco sobre como foi fazer o seu novo filme Ponyo (??????? Gake no Ue no Ponyo). Do programa participaram ele, o presidente do Studio Ghibli, Hoshino Koji e o anfitrião, ex-presidente e atual diretor executivo, Suzuki Toshio. O site GhibliWorld postou a conversa entre eles que será traduzida aqui em 2 partes.

Sobre o começo da produção de Ponyo – Miyzaki diz, “No começo, Ponyo não estava nos planos. Tinha um garoto, mas ele não tinha nome. Tinha também uma casa em um penhasco. Ela estava vazia por um bom tempo até que um cara estranho passou a morar lá. A pessoa já era o Fujimoto (O Pai de Ponyo na versão final). O Fujimoto perguntou para o garoto, “Você não viu nada de estranho por aqui?”. Nessa parte, o que ele estava procurando não era Ponyo e sim um sapo mecânico de brinquedo. Isso porque eu estava planejando a história baseado no livro infantil Kaeru no Eruta de Rieko Nakagawa. Eu tentei transforma-lo em um enredo por um tempo, mas percebi que seria impossível e acabei desistindo. Apesar disso, eu ainda levei o livro comigo para Tomonoura. De qualquer forma, as histórias de Nakagawa tem uma falta de lógica incrível. Ela é uma escritora que consegue explicar tudo sem nexo nenhum. Ela costuma dizer “Porque precisa de mais explicações?” Ela não precisa de regras.”

Quando foi então que você decidiu fazer o filme sem regras, lógica ou explicações? Miyazaki respondeu, “Se eu fosse contar-lhe tudo o que ocorre no meio tempo em que o filme se passa, demoraria horas. O que eu devo fazer? Decidi correr o risco de deixar coisas de fora. Existe uma teoria sobre como criar uma história, como quando uma pessoa encontra outra, a história se desenvolve, um pequeno clímax no meio, um maior no fim e depois um final feliz fecha a história. Isso é muito comum em peças com Samurais, em Bang-Bangs e investigações. Se um diretor repete esse molde, os filmes dele começam a decair. Eu sei que tem pessoas repetindo esse estilo várias vezes sem hesitar. Apesar disso, devemos perceber isso por nós mesmos. Se eu começar a fazer um filme com uma história previsível, logo percebo que há algo errado (risos).  Nesse caso, eu jogo tudo fora. Trabalhar mais em coisas assim só pioram a situação. Eu acho isso.”

Sobre Ponyo, sentimos sua intenção em tirar o excesso de história… Miyazaki notou, “Aquela tempestade foi causada por Ponyo. Ela só queria se encontrar com Sosuke de novo. Então ela não tinha nenhum má intenção. Não podemos culpa-la. Esse é o tipo de personagem que eu queria que fosse a heroina.

Parte 2




Postado por André, May 11th, 2008
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Em Janeiro de 1995, o fanzine japonês Comic Box publicou uma série de artigos sobre Hayao Miyazaki. Entre eles uma longa entrevista realizada por Ryo Saitani sobre o fim de Nausicaä. A partir de hoje, o Go-panda, vai postar esses artigos traduzidos, a começar pela ótima entrevista. Leia com cuidado, pois apesar de não ter nenhum grande spoiler nessa primeira parte, ambos fazem referências a trechos da série que ainda não foram lançados no Brasil.

Ryo Saitani: Gostaria que você contasse como aconteceram as mudanças na história e nos personagens do começo para o final e comparasse as versão animada e a versão em quadrinhos. Além disso, acredito que a Nausicaä seja uma personagem muito especial, então gostaria que você falasse sobre ela separadamente dos outros personagens e falasse também sobre a teoria dela.

Miyazaki: “Teoria” é uma palavra estranha. Eu acho que eu não a usaria.

Ryo: Entendo. Gostaria de fazer algumas perguntas sobre Nausicaä no contexto da obra como um todo. Gostaria de saber como a sua visão do mundo e da civilização estão refletidas em Nausicaä

Miyazaki: Isso não é algo que eu possa dizer assim [risos]. Isso deveria ser discutido por outras pessoas.

Ryo: Quais são as suas considerações sobre os personagens? E como o papel de cada um mudou desde o começo? Eu ouvi dizer que os personagens geralmente agem por si mesmo, mas isso realmente aconteceu ou você estava controlando as ações deles? Por favor, fale um pouco sobre eles.

Miyazaki: Se eu tivesse escrito a história de uma vez, eu ainda estaria empolgado com ela e poderia falar sobre ela. Mas ela foi escrita durante muito tempo e quando eu a terminei, ela havia se transformado em algo “maçante”, então eu não quero falar sobre isso.

Quando a série terminou, eu não tive nenhum sentimento de realização, nenhum sentimento do tipo “Acabei! Eu consegui!”. Em 1993, eu pensava que a séria seria acabada em um ano, mas apesar de eu ter trabalhado fervorosamente por dois meses depois disso, eu ainda não estava satisfeito. Eu sabia que fisicamente eu estava pronto para terminá-la. Saiba que eu não tinha ninguém me pressionado para acabá-la naquele momento, foi algo que decidi por mim mesmo. O editor me disse que eu poderia continuá-la por quanto tempo eu quisesse.

Assim, decidi acabá-la por espontânea vontade. Mas ainda tive dúvidas se isso era o certo a fazer, então eu evitei ficar olhando a história até aquele ponto. Eu havia recebido cópias de todos os capítulos do Yoshi Kobayashi (o encarregado do departamento de edição da Animage), mas não senti vontade de lê-los. Eu estava assustado. [risos] Finalmente, para terminar o ultimo volume, eu olhei os capítulos 2 dias antes de entregar tudo. Não sem tremer muito. De certa forma eu estava aliviado. Eles estavam [muito]* bons – apesar de ser estranho dizer isso sobre o próprio trabalho. Não que eu tivesse esquecido aquilo que havia escrito, e sim que eu me esforcei para esquecer. Foi assustador. O que eu escrevi? [risos] Foi doloroso. É verdade! Eu ainda fiquei imaginando se aquela era a conclusão adequada para Nausicaä, mas não conseguia me convencer. Até agora não tenho certeza.

Ryo: Acho que pode ter sido melhor terminar a história em um ano. Nos últimos sete dias da história, no cemitério de Shuwa, o clima da história havia mudado e ela foi concluída toda de uma só vez. De um ponto decisivo, até o clímax, foi excitante, mas a história até aquele ponto tinha provocado uma atmosfera de alta civilização, e logo ela se transformou em espiritualismo ou misticismo.

Miyazaki: Sim, de fato, Isso ocorreu devido ao fato de Nausicaä e o Ohmu estavam juntos sem mais ninguém.

Ryo: E isso foi bom, não foi? Apesar de fazer parecer que a história foi concluída de uma só vez.

Miyazaki: Continuar Nausicaä por aquele ultimo amo foi realmente difícil apesar de não saber exatamente o porquê. Acho que o problema era que eu tinha que escrever o que eu não sabia!! Escrever o que se sabe é uma coisa, mas eu tinha que escrever sobre o que eu não sabia. Quando dei vazão as minhas confusas idéias, vários pontos fracos apareceram e eu tive que lidar com eles.

Em outras palavras, enquanto esses pensamentos sobre como o mundo de Nausicaä era estavam flutuando pela minha cabeça, eles ficavam colidindo com outras idéias, uma vez que eu estava planejando esse mundo desde 1980. E isso levou a vários problemas. Algumas coisas simplesmente não faziam sentido. O mundo não poderia ser tão inconsistente. Eu fui forçado a repensar o significado do Mar Podre, por exemplo, ou o que exatamente o Ohmu representa.

Quando eu estava escrevendo, eu não escrevi baseado presumindo que “isso” era lógico, então “aquilo” também tem que ser. Ao invés disso, eu pensava, se “isso” é o que vai acontecer, então “aquilo” é o que vai vir depois. Por exemplo, como eu já estava pensando que a Nausicaä se machucaria de alguma forma, eu presumi que ela iria acreditar que a mãe dela não a amava. Os leitores conseguiriam se compadecer com isso e isso iria dar-lhes uma alça na personagem. Para finalizar isso tudo, tudo deveria se unido, certo? [risos] Foi realmente cansativo. Eu tive que ir tão longe que cheguei a pensar no sentido da vida. Eu não sei, então foi muito difícil.




Postado por André, April 29th, 2008
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Dias 4 e 5 de Agosto, o compositor Joe Hisaishi se apresentará em concertos no Nippon Budokan (Tokyo). O diretor executivo do Studio Ghibli e um jornalista do Yomiuri Shimbun entrevistaram o músico sobre os concertos. Segue a baixo a tradução do resumo da entrevista disponibilizado por GhibliWorld.

Pergunta: Ouvimos dizer que esse é o primeiro concerto em que você vai tocar somente músicas dos filmes do Miyazaki.

Hisaishi: É uma coisa que eu queria fazer faz algum tempo…

P: Além disso, você conseguiu juntar um grupo muito grande para o concerto. Serão 200 pessoas na orquestra e 400 pessoas no coro.


Hisaishi: A proposta de juntar tanta gente foi minha, mas sei que não será fácil…

P: Faz 25 anos que você trabalha junto com o Miyazaki…

Hisaishi: Nós nos conhecemos durante a produção de Nausicaä (1984). Para dizer a verdade, eu não tinha idéia de quem ele era antes disso. Quando eu fui vê-lo em seu escritório em Asagaya, ele nem se incomodou em me esclarecer sobre o cenário ou ambiente do filme como o “Ohmu” ou o “Fukai”, então eu fiquei um pouco confuso. Apesar disso, eu fiquei com a impressão de ele ser uma pessoa muito pura e audaciosa.

Suzuki: Na verdade, a pessoa que escolheu o Hisaishi foi Takahata (o produtor de Nausicaä). Ele disse que a música do Hisaishi combinaria com Miyazaki por ser inocente, romântica e audaciosa. Como o Miyazaki pensava estar no escuro para a música, ele confiou essa tarefa ao Takahata.

Hisaishi: É verdade. Minhas reuniões eram principalmente com Takahata. Ele me surpreendeu com um grande conhecimento musical.


Suzuki: Apesar disso, Takahata acreditava que o compositor da obra deveria ser trocado de filme para filme. Por isso ele tentou pedir para outra pessoa durante a produção de Laputa, mas no fim, ele decidiu permanecer com Hisaishi.

Hisaishi: Naquela época eu já havia quase desistido de poder trabalhar novamente. Fiquei muito feliz quando recebi a ligação. Eu chorei com o telefonema.

Suzuki: Uma das cenas e músicas mais memoráveis de Totoro é aquela em que a Mei e a Satsuki encontram o Totoro no ponto de ônibus. No inicio, Miyazaki achava que a cena não precisava de música, mas eu achei ficaria melhor com e fui conversar com o Takahata escondido. Ele me disse que com uma música minimalista ficaria bom, e isso era algo em que o Hisaishi é bom. Ele, então, compôs a musica com excelência e até para os adultos a cena mostrou a real existência do Totoro. Assim o Miyazaki concordou com a música.

Hisaishi: Ouvindo isso me sinto obrigado a tocar essa música. Será usada uma grande tela no concerto, pois eu quero tocar junto com as imagens.

P: Qual é, normalmente, o seu processo de criação?

Hisaishi: Eu assisto aos E-kontes ou ao filme, como se estivesse andando em um nevoeiro procurando por um gatilho que dispare minha mente. Esse é o primeiro passo. Quando consigo achar, começo a trabalhar para achar um timbre, qual o tipo de tema ou melodia usar… ou coisa do tipo… De qualquer forma, são muitas preocupações. O ponto mais importante é estar consciente de que eu o primeiro expectador.

Suzuki: Acrescentando, você não tem tempo suficiente para fazê-lo. Geralmente, no Japão, a música é adicionada depois do término dos desenhos.

Hisaishi: Agora está acontecendo exatamente isso (risos).


P: Como está progredindo a trilha de Ponyo?

Hisaishi: Como o protagonista Sosuke tem somente 5 anos, a música também deve ser assim. Uma música com melodia mais simples consegue penetrar em uma mente perspicaz, então estou me esforçando para achar um jeito de expressar o Sosuke. Apesar disso, dessa vez eu tive uma discussão com o Miyazaki e o Suzuki para fazer o image algum e eu sinto que estamos trabalhando nisso juntos. O problema é quando o Miyazaki for ouvir.

Suzuki: É mesmo. Ele geralmente não esquece a primeira impressão.

Hisaishi: Não importa o quanto eu o diga que se trata de um demo, ele não consegue esquecer a primeira impressão. No caso de Mononoke, eu mudei a música tema de volta para a original. Curiosamente, no fim foi uma boa decisão. Miyazaki sempre diz que ele não entende de música, apesar de eu não acreditar que seja verdade.

P: O pôster do concerto é original do Miyazaki?

Suzuki: Eu pensei que ele iria apenas desenhar algo simples com uma caneta, mas ele está se esforçando para pintar o Hisaishi. Ele costuma perguntar, “Como é o rosto dele?” Ele pos várias fotos suas em volta de sua mesa.


Hisaishi: Eu nem tenho como agradecê-lo.

P: Como será a programação?

Hisaishi: Se eu realmente fizer, quero mostrar todos os 9 filmes, de Nausicaä até Ponyo. Eu revi as antigas partituras e assisti novamente a todos os filmes. Eu sinto a grandiosidade das imagens e quero acompanhá-las com minha música. Tocaremos músicas que nunca toquei antes em concertos. Talvez vocês possam aproveitar a força da originalidade.


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Na edição de março da revista japonesa, Cut, foram revelados mais detalhes por trás da estória e a história do novo filme do Hayao Miyazaki, Gake no eu no Ponyo (???????, Ponyo no Rochedo [?]). A revista internacional mostra uma entrevista de três páginas muito interessante com o produtor do Studio Ghibli e logicamente GhibliWorld.com apresenta um resumo de leitura obrigatória traduzido para o português por gopanda.studioghibli.com.br

P: Quando vocês decidiram produzir Ponyo? Não foi logo depois de O Castelo Animado?

Suzuki: Foi durante o verão de 2005 e a produção mesmo começou em Outubro de 2006… Um dia Miyazaki me perguntou que gênero de filme fazer e eu propus que o próximo filme deveria ser feito para as crianças. “Que tal fazer alguma coisa do tipo Iya Iya En?

(Nota: Iya Iya En é um livro ilustrado escrito por Rieko Nakagawa (?????) e desenhado pela sua irmã, Yuriko Yamawaki. A historia fala sobre crianças que vivem numa creche. Todas as creches no Japão tem uma cópia do livro, que é substituída todos os anos.)

Eu acho que esse deve ser o livro mais vendido no Japão. Quando eu era um estudante, eu li o livro e gostei muito dele e, como Miyazaki era novo, ele também gostou muito. Nós conversamos sobre o fato de que seria legal se nós pudéssemos transformá-lo num filme. Apesar disso, o livro já havia sido publicado há muito tempo e várias outras pessoas haviam se oferecido para fazer um filme sobre o livro, mas as autoras não aceitaram e nem concordaram com isso. Enquanto nós estávamos produzindo Totoro, nos perguntamos sobre quem deveríamos pedir para escrever a letra da música tema. Miyazaki e eu exclamamos ao mesmo tempo “Rieko Nakagawa!” Assim, ela escreveu Sanpo para nós e ficamos muito felizes.


Depois disso, nós criamos o Ghibli Museum e
planejamos fazer alguns curtas-metragens. Miyazaki propôs Iya Iya En e então eu pedi a Nakagawa pela sua autorização. No final acabamos produzindo o curta, mesmo que tenha sido apenas uma parte dos episódios. Foi chamado de Kujira-tori (?????, A Caça às Baleias [?]). Dessa vez, entretanto, Miyazaki quis fazer a história completa num longa-metragem e começou a prepará-lo.


P:
Falando na música tema de Totoro, a maioria daqueles lendo essa entrevista devem achar que é fácil alguém aceitar escrever as letras se o mestre Miyazaki é quem esta pedindo. Apesar disso eu não acho que tenha sido, pois naquela época o Studio Ghibli não era muito conhecido.

Suzuki: De fato, Nakagawa não sabia nada sobre nós e não foi fácil convencê-la a aceitar.

P: Quer dizer que o Studio Ghibli e o Miyazaki não tinham o poder de marca naquele tempo, certo?

Suzuki: Certo.

P: Mas então, Ponyo começou como uma versão animada de Iya Iya En?

Suzuki: Isso mesmo. Na verdade, eu nunca falei sobre isso… …

P: Sem problemas, continue!!

Suzuki: Miyazaki é uma pessoa que sempre foi muito influenciada pelos lugares onde ele morou ou visitou. Por exemplo, depois de ele visitar Yakushima ele criou Nausicaä e ele teve a idéia de fazer Kiki depois de visitar a Suécia. Além disso, alguns dos filmes Ghibli são ambientados nos arredores de Tama (??, um subúrbio oeste de Tokyo), mas nós já nos enjoamos de lá.

(Nota-GP: Yakushima é uma ilha japonesa coberta por uma antiga floresta, muito bonita, considerada um patrimônio mundial.)

Algum tempo atrás, nós tivemos um tour de três dias e duas noites com 250 pessoas para uma pequena cidade em Setonai-kai. No começo, Miyzaki não quis ir junto, mas viajou mesmo assim e gostou muito do lugar. Pra dizer a verdade, eu sabia que ele gostaria. Não muito depois disso, ele disse que gostaria de morar lá por um tempo, então eu arrumei tudo para que ele vivesse lá por dois meses. A imaginação dele começou a crescer… Depois que ele voltou para Tokyo, ele me trouxe uma idéia. “Que tal ao invés de Iya Iya En, Gake no Shita no Iya Iya En (A Creche Não-Não no Rochedo [?])? Isso foi porque a casa onde ele morou era em um rochedo. E uma vez ele me disse “Esse é o sonho da minha vida…” Pra dizer a verdade eu não estou autorizado a falar isso…

P: Sem problemas, vá em frente!

Suzuki: Ele disse, “Não tem sentido fazer a história de uma creche em um filme.” Eu perguntei a ele “O que você quer dizer?” e ele respondeu “Eu quero fazer uma creche real na nossa empresa!”. Naquela época, muita gente da companhia teve filhos e finalmente fizemos uma creche dentro da empresa. O ekonte (storyboard) da história de Iya Iya En feito por Miyazaki era bem pequeno, então desistimos dele e a creche real será aberta em abril. Ela foi construída perto do atelier do Miayzaki chamado Nibariki (???, 2 cavalos, um nome inspirado no Citroën 2CV, um dos carros do Miyazaki.) Na verdade, por mais de dez anos ele teve vontade de construí-lo. A esposa dele também veio até mim e disse, “Esse é o sonho mais importante do Miyazaki, por favor, ajude-o.” Eu estou cuidando disso, mas enquanto trabalho fico pensando “O que estou fazendo?”.

P: Miyazaki parece realmente gostar de crianças. Por causa disso, é mais fácil de entender Ponyo. Nele, um peixe dourado quer virar humano e parece ser um filme comum mostrando o dia a dia das crianças e seus pais educando-as, certo?

Suzuki: É realmente um filme comum. A estória é muito simples, misturando uma antiga história e A pequena Sereia. Uma jovem peixe está nadando quando prende sua cabeça num pote. Não conseguindo se soltar, ela é levada até a praia e é achada por um garoto de 5 anos. O garoto ajuda-a e eles logo se apaixonam. E para onde a estória vai depois? É como Urashima Taro. Como a história é muito simples, nós estamos nos focando em sua expressão para deixá-la mais complexa e detalhada.

(Nota-GP: Urashima Taro é o nome de um pescador de uma lenda japonesa. Na lenda, o pescador, salva uma tartaruga e em troca, foi lavado a um reino do mar. Apesar de feliz, lá, ele sente saudades de casa e resolve voltar. Ao chegar em sua cidade, descobre que todo que conhecia já haviam morrido e ninguém mais se lembrava dele. Desesperado, ele abre um caixa confiada a ele que fez com que os anos passassem também para ele.)

P: Ouvimos que vocês estão aderindo novamente ao desenho feito à mão.

Suziki: Durante essa década, CG (técnica de desenho digital) apareceu e percebemos que isso nos permitiria fazer expressões mais detalhadas se usada como um suplemento às animações manuais. Por outro lado, um novo problema apareceu. O progresso da tecnologia digital é tão rápido que é difícil de ser acompanhado. Se um filme é feito com a mais nova tecnologia, ele vai ficar desatualizado dentro de pouco tempo. E há mais uma questão. Nós usamos CG em O Castelo Animado. As pernas do castelo, por exemplo, foram feitas assim. Apesar disso a animação não me pareceu natural e eu disse ao Miyazaki que a habilidade dele é melhor que a do computador. Ele aceitou isso e desistiu de usar CG. Por isso, a segunda metade de O Castelo Animado não usa CG. Nós sabemos que CG tem pontos positivos e negativos. O tema desse filme é simples como a estória, assim como os efeitos visuais, o que por outro lado exige um trabalho árduo para que todos os desenhos sejam feitos à mão.

P: Que impressão você tem do filme? Você diria “Você vai com certeza se surpreender!”?

Suzuki: É estúpido dar crédito a um filme incompleto, não é? Apesar disso, eu tenho um palpite de que Ponyo pode virar uma obra-prima.

P: Ouvindo isso, eu também sinto que vai.

Suzuki: Miyazaki basicamente tem um ponto de vista que enxerga a essência dos seres humanos na natureza. Ele também tem o dinamismo das estórias de coragem. Ele consegue manter essas duas habilidades.


P:
O filme tem, então, um resultado diferente comparado com, por exemplo, O Castelo Animado?

Suzuki: Acho que sim. Simples, porém intenso.

P: Eu acho que a nova história do Miyazaki pode começar desse ponto. Acho que o desenho à mão não é, por todo, apenas o resultado, mas também a causa dele.

Suzuki: Talvez sim. Miyazaki não decai, apesar de sempre dizer que está decaindo. É uma mentira. Ele cria as animações por si mesmo. Se alguém mais habilidoso aparecer, ele não vai mais conseguir se manter. Mas ninguém consegue superá-lo. Isso é ao mesmo tempo um prazer e uma preocupação para ele.

P: O Miyazaki ser bom em desenhar aviões, mas como ele desenha a água que simplesmente… existe?

Suzuki: Só por dizer: 80% do filme é o oceano.

P: Mesmo?

Suzuki: As ondas são um tema importante. Ele nunca faz outros desenharem as ondas. Ele desenha todas por si próprio. Ele está pensando para achar um jeito melhor de desenhar as ondas e o mar. Eu não sei se isso funciona bem.


P:
Ouvindo isso, eu sinto que poderemos ver “outro” Miyazaki

Suzuki: O visual do filme está diferente. O público normal pode dizer “Aha… esse é um Miyazaki diferente do qual eu estou acostumado…” Os planos de fundo também estão diferentes. Estão menos manipulados. Eu acho que isso está indo muito bem. Para dizer a verdade, eu quase achei que o Miyazaki estava acabado.

P: *risos* Eu vou incluir no artigo, ok?

Suzuki: Ele já tem 67 anos. Fico imaginando onde ele tinha Escondido essa força tão grande.

P: Quando você achou que ele estava acabado?

Suzuki: Eu não achei exatamente isso. Pensei que as pessoas obrigatoriamente envelhecem. Generalizando, diretores de cinema produzem seus melhores filmes durante seus 40 e poucos anos. Os cinquentões e sessentões geralmente tendem a decair. É possível evitar isso? Miyazaki sempre fala “Até quando posso fazer isso?” Apesar disso, dessa vez ele está fazendo um filme realmente juvenil. Dessa vez ele realmente não usa sua especialidade, a aviação. Mesmo assim, é muito interessante.

P: Estou certo que ele não precisa. Você acha do filme sair mesmo em Julho? Vai dar tudo certo? (O Castelo Animado atrasou 3 meses e não pôde ser lançado nas férias de verão).

Suzuki: Dessa vez estou 100% certo. Eventualmente teremos um atraso, mas será muito sutil. Pode apostar.

 




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