Archive for the ‘Toshio Suzuki’ Category

Postado por André, October 17th, 2009
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Escrevi esse texto já faz um bom tempo para por no site no Studio Ghibli Brasil. Acho que nunca postei ele aqui e também acho que muita gente não deve ter lido ainda. Apesar de comprido, o texto contém muuuitas³³³ mas muuuitas³³³ informações e curiosidades muito bacanas sobre o Studio Ghibli! Não me lembro bem se está bem escrito, mas com certeza vale a pena conferir. Espero que gostem.

Semana que vem eu estarei viajando para a cidade de Ouro Preto com a faculdade, portanto ficarei sem internet e não poderei postar nada. Até a volta!

“O Quente Vento do Deserto do Sahara”. Para muitos, essa frase pode não fazer sentido algum, mas para Hayao Miyazaki, esse vento que se chama Ghibli seria aquele mudaria para sempre a história da animação mundial.

Graças ao sucesso alcançado por Nausicaä do Vale do Vento (????????, Kaze no Tani no Naushika), nasce em 1985 o Studio Ghibli. Sua história, porém, começa a nascer 30 anos antes com o encontro de Hayao Miyazaki e Isao Takahaka, futuros pais do estúdio. Em 1974 os dois se encontravam durante a produção de um Anime de grande sucesso no mundo inteiro – inclusive no Brasil -, Heidi (??????????, Arupusu no Sh?jo Haiji). Enquanto Takahaka dirigia as séries, Miyazaki fazia um trabalho sobre-humano para conseguir desenhar o layout de cada episódio detalhadamente. Isso fez com que os dois percebessem que para fazer as animações de alta qualidade, como desejavam, precisariam de um tipo de mídia onde os prazos não fossem tão apertados como são nas séries de televisão. Foi assim que surgiu a idéia da criação de um estúdio para produzir filmes cuidadosamente desenhados, com enredo e qualidade impecáveis.

Assim, o primeiro filme do Studio Ghibli, que estreou em 1986, foi Laputa, O Castelo no Céu (????????, Tenk? no Shiro Rapyuta) levando 775 mil pessoas aos cinemas – um sucesso de bilheteria e de crítica. Sempre inovando, 2 anos depois, o Studio Ghibli surpreendeu mais uma vez lançando dois filmes ao mesmo tempo. Para muitos estúdios esse desafio seria impossível de se cumprir sem comprometer a qualidade da animação ou a gestão dos recursos, mas Meu Vizinho Totoro (???????, Tonari no Totoro), dirigido por Hayao Miyazaki, e Túmulo dos Vaga-lumes (?????, Hotaru no Haka), de Takahaka, se tornaram obras primas consideradas por muitos os melhores filmes do Studio Ghibli até hoje. Atualmente o logo do Studio Ghibli é o perfil de Totoro, personagem principal do filme.

O reconhecimento que esses filmes trouxeram ao Studio Ghibli foi um dos fatores que contribuiu para que o próximo filme atingisse um número surpreendente de expectadores. Aproximadamente 2,64 milhões de pessoas foram ao cinema em 1989 para assistir O Serviço de Entregas da Kiki (??????, Majo no Takky?bin), fazendo com que esse fosse o filme mais visto no Japão durante aquele ano. Diante desse grande sucesso, aquele pequeno e idealizado estúdio de animação ficou muito limitado, então algumas mudanças operacionais no estúdio mostraram-se necessárias, fazendo com que houvesse uma grande reforma.

Até 1989 o Studio Ghibli não mantinha funcionários fixos e eles eram pagos por cada célula desenhada. Apesar disso ser o normal na indústria da animação, fazia com que o salário do pessoal do estúdio fosse abaixo do merecido. Assim, depois do lucro gerado por Kiki, a direção do Studio Ghibli decidiu regularizar os funcionários que passaram a trabalhar em período integral e ter um salário fixo. Além disso, foi decidido que seriam contratados novos animadores regularmente.

O presidente do Studio Ghibli foi muito importante para que essas mudanças pudessem ocorrer. Yasuyoshi Tokuma, um grande empresário japonês acreditava no estúdio e por isso deu e ainda da total liberdade a Miyazaki e Takahaka, raramente influenciando nas decisões. Mesmo assim, nos momentos cruciais de dificuldade, Tokuma sempre aparece para tomar conta da situação e garantir o futuro do Studio Ghibli.

O alto custo dessas mudanças que dobraram o valor pago pelo estúdio aos seus funcionários foi compensado pelo próximo filme de Isao takahaka. Only Yesterday (????????, Omohide Poroporo) foi muito bem recebido pelo púbico, fazendo também com que fosse o filme mais visto no Japão em 1991. O diretor executivo da época, Toru Hara, definiu a política do Studio Ghibli como “3As”: Alto Custo, Alto Risco e Alto Retorno. Baseado nisso, após Only Yesterday o estúdio começou a investir mais em marketing. Esse investimento, porém não foi visando altos lucros para abastecer o bolso de ambiciosos executivos e sim pagar o salário dos animadores responsáveis por tão belos trabalhos e garantir um financiamento para o próxima longa do estúdio.

Com funcionários trabalhando em tempo integral, não havia tempo a perder. Por isso, antes mesmo que Only Yesterday fosse concretizado, o estúdio já havia iniciado a produção de Porco Rosso (???, Kurenai no Buta). Isso logo fez com que o espaço físico do estúdio ficasse muito apertado. Eram aproximadamente 90 pessoas em um espaço de 300m². Por isso, apesar de não haver recursos suficientes, Hayao Miyazaki sugeriu que uma nova sede fosse construída. Toru Hara era contra a idéia e por isso acabou se afastando do Studio Ghibli, mas o presidente Tokuma encorajou a decisão dizendo que ele havia dinheiro suficiente no banco e poderia bancar a obra.

Assim, durante um bom tempo Hayao Miyazaki ficou trabalhando sozinho na produção de Porco Rosso e na planta do novo estúdio. Ele foi o responsável pela arquitetura do prédio e por organizar a construção de modo que ela ficasse o mais parecida possível com o que ele planejava. Em 1992 ficaram prontos o novo filme e a nova sede. O novo prédio, de 1100m² foi construído na cidade de Koganei, no distrito de Tokyo. Porco Rosso… mais uma vez teve a maior bilheteria do ano superando clássicos como A Bela e a Fera, da Disney que estreou naquele mesmo ano.

Em 1993, o Studio Ghibli comprou 2 câmeras computadorizadas fazendo assim com que o departamento de fotografia do estúdio pudesse ser enfim concretizado. O novo prédio tinha espaço e recursos para todos os departamentos de um estúdio de animação completo, isso permitiu que o Studio Ghibli pudesse se tornar ‘auto-suficiente’, deixando de depender de outras empresas para a fotografia. Ao contrário da tendência da indústria de animação, o Studio Ghibli queria que todos os passos dos longas fossem feitos lá.

Nesse mesmo ano, pela primeira vez um diretor que não o Miyazaki ou o Takahaka dirigiu um filme. Trata-se de Ondas do Oceano (??????, Umi ga Kikoeru), de Tomomitsu Mochizuki. O filme de 70 minutos foi um especial elaborado para a televisão principalmente por animadores recém contratados que haviam feito carreira no estúdio.

Em 1994, foi lançado A Guerra dos Guaxinins (?????????, Heisei Tanuki Gassen Ponpoko), que, ‘para variar’, também foi o mais visto no ano. Esse filme foi o primeiro do estúdio em que foi utilizado CG (ou computação gráfica). Nesse ano, o Studio Ghibli contava com 99 funcionários. 46 animando, 8 pintando, 12 desenhando, 4 fotografando, 12 dirigindo e produzindo, 5 divulgando e 12 administrando.

Sussurros do Coração (??????, Mimi wo Sumaseba), de 1995 também trazia inovações. Dessa vez, Miyazaki cuidou da produção e do roteiro, deixando a direção para o Yoshifumi Kondo. Com isso, Hayao Miyazaki visava treinar seus animadores para que eles pudessem um dia assumir as rédeas do estúdio. Yoshifumi Kondo já havia sido diretor de animação em Túmulo dos Vagalumes, Kiki e Only Yesterday, sendo inclusive muito disputado entre Miyazaki e Takahaka. Com Sussurros do Coração, Kondo se mostrou um habilidoso e experiente diretor pronto para encarar os desafios típicos do Studio Ghibli.

Dois anos depois, em 1997, Hayao Miyazaki concluiu o filme que lhe deu a maior projeção internacional até então. A Princesa Mononoke (?????, Mononoke Hime) surpreendeu o mundo todo com um filme muito maduro e sincero. Tratando de um assunto que a cada dia que passa fica mais atual, Mononoke mostrou na época a capacidade do diretor de atingir qualquer público com suas animações. Esse trabalho também contou com uma grande parcela de CG (Computação Gráfica), a partir de modernos equipamentos adquiridos pelo Studio Ghibli. Com o advento da tecnologia naqueles dias, o estúdio utilizava esse recurso para cobrir cenas simples porém trabalhosas de serem feitas a mão.

Como ficou evidente até aqui, um dia de trabalho no Studio Ghibli é sempre um desafio a ser vencido, o que faz com que haja um esgotamento muito grande por parte dos animadores. Por causa disso, depois de Mononoke, Hayao Miyazaki anunciou que se aposentaria da escrivaninha, trabalhando apenas ocasionalmente fazendo roteiros e dando assistência. Com isso, o diretor desejava também dar um espaço maior para os jovens animadores. No ano seguinte, porém, a trágica morte de Yoshifumi Kondou abalou fortemente o Studio Ghibli. Vitima de um aneurisma, Kondou mobilizou seus vários fãs e colegas de trabalho com a perda de um dos melhores animadores de Studio Ghibli. Nesse mesmo mês, Hayao Miyazaki perdeu o rumo dos acontecimentos se afastou oficialmente do estúdio fundando uma nova empresa, chamada Butaya. No ano seguinte, porém, Miyazaki volta ao Studio Ghibli, com novos planos.

Em 1999, Isao Takahaka termina Meus Vizinhos Yamadas (Tonari no Yamada-kun), filme totalmente computadorizado feito a partir de sketches aquarelados. Esse é o último filme de Takahaka até o anuncio de que ele estaria planejando outra longa, em 2008. Em 2001, é lançado a Viagem de Chihiro (????????, Sen to Chihiro no Kamikakushi) de Hayao Miyazaki. O filme, que estreou também nos cinemas brasileiros, também garantiu seu sucesso no mundo todo conquistando além de vários outros prêmios importantes, o Urso de Ouro em Berlim e o Oscar de melhor animação. Apesar disso, Miyazaki mais uma vez anunciou o fim da sua carreira como diretor, porém voltando atrás novamente alguns anos depois.

2002 é o ano de O Reino dos Gatos (Neko no Onegashi), filme que, traçando um paralelo com Sussurros do Coração, utiliza alguns dos personagens como Muta, o gato e o barão em um enredo totalmente independente. Foi nessa ocasião que o Miyazaki mais uma vez assegurou seus fãs que não pretende fazer uma continuação para nenhum de seus filmes.

Em 2004 Miyazaki conclui outro filme de grande projeção internacional, O Castelo Animado (???????, Hauru no ugoku shiro). O filme que conta com alguns trechos de CG traz um extra que mostra pela primeira vez detalhes das técnicas de computação utilizadas no Studio Ghibli.

Dois anos depois, Goro Miyazaki, o filho do diretor Hayao dirige seu próprio filme. Contos de Terramar (????, Gedo Senki), de 2006 foi uma produção muito polêmica, pois apesar de ter a qualidade dos filmes do Studio Ghibli, causou estranheza a muitos fãs e inclusive ao próprio pai do diretor, Hayao Miyazaki. Isso garantiu ao longa diversos prêmios – tanto positivos quanto negativos – por todo o mundo.

Em 2008, Toshio Suzuki, o presidente executivo do estúdio que havia assumido em 2005 se demitiu do cargo. Apesar disso, ele continuou trabalhando no Studio Ghibli como produtor. O ex-presidente afirmou que ao invés de exigir que os animadores fizessem um bom trabalho, ele queria fazer isso com as próprias mãos. Assim, a presidência executiva do estúdio passou para as mãos de Koji Hoshino. Nesse mesmo ano, foi lançado o mais novo filme do Studio Ghibli e do Hayao Miyazaki. Ponyo no Penhasco à Beira-mar ???????, Gake no Ue no Ponyo) é o resultado de anos de trabalho. O filme foi totalmente desenhado a mão sem nenhum tipo de computação gráfica, mas mesmo assim foi um enorme sucesso no Japão e no mundo. Aqui no Brasil, o filme deve chegar em Julho de 2009.

E é assim que depois de anos e anos, o Studio Ghibli continua firme e forte produzindo longas que encantam todas as gerações. Com a carreira do Miyazaki próxima do fim, o futuro do estúdio é incerto, mas fãs do mundo todo têm esperança de que sempre haverá alguém trabalhando para manter esse sonho vivo.




Postado por André, June 16th, 2009
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The Art of Studio Ghibli and pre-Ghibli / A Arte do Studio Ghibli e pré-Ghibli


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Papéis de Parede do Studio Ghibli

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Postado por André, August 26th, 2008
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Continuação da Entrevista com Hoshino, Miyazaki e Suzuki publicada no começo dos mês. A entrevista agora continua seguindo um rumo diferente: As novas contratações do Studio Ghibli.

KOJI HOSHINO “Nós recrutamos novatos todos os anos?”

MIYAZAKI “Nesses últimos anos, nós não fizemos isso. Eu pedi para que o recrutamento parasse.”

HOSHINO “Porque vocês pararam?”

MIYAZAKI “Todo anos nós costumávamos contratar 4 ou 5 novatos. Apesar disso, eles eram logo incorporados no grupo dos mais antigos e por isso acabavam não trazendo nada de novo para o estúdio. Eles não se comportavam como novatos. Nenhum ar de novidade vinha deles, então parei de contratar. Atualmente, a indústria de animes importa seu trabalhadores de países extrangeiros como China ou Filipinas. Por isso a relação entre empregados e empregadores não é mais tão apertada como costumava ser. Nós podemos trazem gente de fora facilmente hoje em dia.”

HOSHINO “Você quer dizer que o volume de animes está diminuindo?.”

MIYAZAKI “Pelo menos no Japão está sendo assim. [...] Basicamente os animadores que eram recrutados regularmente não são curiosos e não tem interesse em outras pessoas. Eles não querem influenciar e nem serem influenciados. Normalmente eles trabalham usando fones-de-ouvido. Mas eu não sei o que estão ouvindo. Acho que eles são um grupo de merda. Falei demais (rindo)? De qualquer forma, nosso pessoal percebeu que bons filmes não podem ser feitos somente pelos animadores mais antigos. Então nós trocamos nossa política e estamos recrutando jovens desenhistas.

HOSHINO “Quantas pessoas vocês vão pegar?”

MIYAZAKI “Mais ou menos 20 de uma vez. Se nós pegássemos aos poucos, eles seriam logo englobados pelo grupo. Basicamente, o valor de se criar um estúdio é manter o tronco. Se precisássemos de mãos ou cabeças novas, poderíamos pegá-las de fora. O tronco precisa ser um grupo de pessoas confiáveis e pacientes. Mas isso não é fácil de se manter.”

HOSHINO “Você quer dizer então que você vai construir o tronco com os novatos?”

MIYAZAKI “Isso mesmo. Nosso tronco está um pouco deteriorado (risos). Uma vez que estivermos com nossos animadores e ensinarmos tudo a eles. Assim eles irão se tornar profissionais e nós teremos nosso investimento de volta.

HOSHINO “Você vai ter algo a mais do que semear dinheiro (risos)?

MIYAZAKI “Sim. Na verdade vou grelhá-los como rabanetes e espreme-los (rindo). Fazer uma animação significa sugar o sangue dos jovens talentos como um vampiro.

SUZUKI “Mas eu não consigo mais sugar todo esse sangue. O tronco está agora em pele e osso. Só consigo sugar água, mas sangue não. Então precisamos renovar o tronco. Se conseguirmos reconstruí-lo, pode ser que brotem também uma cabeça e mãos. Eu não quero que esses novatos sejam influenciados pelos veteranos que já tem seu talento lapidado. Também quero que eles tenham uma vida estável e tranqüila, o que significa que o treinamento será em uma cidade pequena.

“Eu devo Avisá-los: Vocês vão passar um ano e meio como um monge. Sem ver nada; sem informações ou notícias. Levantar cedo, vir para o instituto as 9 da manha e trabalhar duro até as 5 da tarde. Durante esse período vocês não poderão utilizar celulares, e-mails ou iPods. Deverão se dedicar em ver o mundo e desenha-lo. Então nós iremos garantir seu salário e existência. Você pode aprender tudo o que precisa, mesmo se for em uma cidade rural. Se você aguentar isso por um ano e meio, vai ter como resultado algo bem melhor do que 10 anos de enbromação em Tokyo.

HOSHINO “Vocês pretendem recrutar pessoas que já tenham experiência?”

MIYAZAKI “Não, Nós estamos procurando por verdadeiros novatos. Eu irei ensiná-los como se desenhar. Se eles conseguirem completar a curta metragem e puderem ver as crianças se divertindo no museu quando a curta for exibida, eles ficarão mais confiantes.”

SUZUKI “Nós podemos até acabar encontrando um grande talento entre eles.”

MIYAZAKI “Eu visitei o Aardman Studio na Inglaterra. Ao invéz de ser em Londres, ele fica em Bristol, a uma hora de trem de Londres. Bristol é só uma pequena cidade. Ao redor do estúdio exitem apenas algumas fábricas e verde, nada mais. No estúdio tem uma lanchonete muito legal comandada por dois chefs. Os dois altos e musculosos. Acho que aos domingos ele vão para o estádio de futebol. Eu quero chefs como aqueles… (risos)”

Considerações à parte…

Essa nova política de recrutamento remete à época em que Miyazaki estava procurando um substituto para poder aposentar. O lançamento de Mimi wo Sumaseba, em 1995 é uma prova disso. Yoshifumi Kondo era um dos maiores talentos do Studio Ghibli e seu primeiro filme mostrava que ele estava pronto para fazer animações de qualidade. Com sua morte, porém, 3 anos depois foi uma grande desilusão para todo o estúdio. Com a perda de um dos melhores diretores da época, todos os planos de Miyazaki foram por água a baixo e isso fez com que o corpo do Studio Ghibli se deteriorasse, como foi dito na entrevista. Hoje, 10 anos depois da trágica morte de Kondo, Miyazaki parece querer tentar mais uma vez.

É um grande passo na história do Studio Ghibli. Essas novas contratações significam que muito provavelmente Miyazaki ficará pelo menos 2 anos sem se dedicar a nenhuma outra longa. E todo esse tempo será preciso para definir o futuro do estúdio. Tenho altas expectativas e boas esperanças.

Isso é tudo pessoal!

Parte 1




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Na edição de março da revista japonesa, Cut, foram revelados mais detalhes por trás da estória e a história do novo filme do Hayao Miyazaki, Gake no eu no Ponyo (???????, Ponyo no Rochedo [?]). A revista internacional mostra uma entrevista de três páginas muito interessante com o produtor do Studio Ghibli e logicamente GhibliWorld.com apresenta um resumo de leitura obrigatória traduzido para o português por gopanda.studioghibli.com.br

P: Quando vocês decidiram produzir Ponyo? Não foi logo depois de O Castelo Animado?

Suzuki: Foi durante o verão de 2005 e a produção mesmo começou em Outubro de 2006… Um dia Miyazaki me perguntou que gênero de filme fazer e eu propus que o próximo filme deveria ser feito para as crianças. “Que tal fazer alguma coisa do tipo Iya Iya En?

(Nota: Iya Iya En é um livro ilustrado escrito por Rieko Nakagawa (?????) e desenhado pela sua irmã, Yuriko Yamawaki. A historia fala sobre crianças que vivem numa creche. Todas as creches no Japão tem uma cópia do livro, que é substituída todos os anos.)

Eu acho que esse deve ser o livro mais vendido no Japão. Quando eu era um estudante, eu li o livro e gostei muito dele e, como Miyazaki era novo, ele também gostou muito. Nós conversamos sobre o fato de que seria legal se nós pudéssemos transformá-lo num filme. Apesar disso, o livro já havia sido publicado há muito tempo e várias outras pessoas haviam se oferecido para fazer um filme sobre o livro, mas as autoras não aceitaram e nem concordaram com isso. Enquanto nós estávamos produzindo Totoro, nos perguntamos sobre quem deveríamos pedir para escrever a letra da música tema. Miyazaki e eu exclamamos ao mesmo tempo “Rieko Nakagawa!” Assim, ela escreveu Sanpo para nós e ficamos muito felizes.


Depois disso, nós criamos o Ghibli Museum e
planejamos fazer alguns curtas-metragens. Miyazaki propôs Iya Iya En e então eu pedi a Nakagawa pela sua autorização. No final acabamos produzindo o curta, mesmo que tenha sido apenas uma parte dos episódios. Foi chamado de Kujira-tori (?????, A Caça às Baleias [?]). Dessa vez, entretanto, Miyazaki quis fazer a história completa num longa-metragem e começou a prepará-lo.


P:
Falando na música tema de Totoro, a maioria daqueles lendo essa entrevista devem achar que é fácil alguém aceitar escrever as letras se o mestre Miyazaki é quem esta pedindo. Apesar disso eu não acho que tenha sido, pois naquela época o Studio Ghibli não era muito conhecido.

Suzuki: De fato, Nakagawa não sabia nada sobre nós e não foi fácil convencê-la a aceitar.

P: Quer dizer que o Studio Ghibli e o Miyazaki não tinham o poder de marca naquele tempo, certo?

Suzuki: Certo.

P: Mas então, Ponyo começou como uma versão animada de Iya Iya En?

Suzuki: Isso mesmo. Na verdade, eu nunca falei sobre isso… …

P: Sem problemas, continue!!

Suzuki: Miyazaki é uma pessoa que sempre foi muito influenciada pelos lugares onde ele morou ou visitou. Por exemplo, depois de ele visitar Yakushima ele criou Nausicaä e ele teve a idéia de fazer Kiki depois de visitar a Suécia. Além disso, alguns dos filmes Ghibli são ambientados nos arredores de Tama (??, um subúrbio oeste de Tokyo), mas nós já nos enjoamos de lá.

(Nota-GP: Yakushima é uma ilha japonesa coberta por uma antiga floresta, muito bonita, considerada um patrimônio mundial.)

Algum tempo atrás, nós tivemos um tour de três dias e duas noites com 250 pessoas para uma pequena cidade em Setonai-kai. No começo, Miyzaki não quis ir junto, mas viajou mesmo assim e gostou muito do lugar. Pra dizer a verdade, eu sabia que ele gostaria. Não muito depois disso, ele disse que gostaria de morar lá por um tempo, então eu arrumei tudo para que ele vivesse lá por dois meses. A imaginação dele começou a crescer… Depois que ele voltou para Tokyo, ele me trouxe uma idéia. “Que tal ao invés de Iya Iya En, Gake no Shita no Iya Iya En (A Creche Não-Não no Rochedo [?])? Isso foi porque a casa onde ele morou era em um rochedo. E uma vez ele me disse “Esse é o sonho da minha vida…” Pra dizer a verdade eu não estou autorizado a falar isso…

P: Sem problemas, vá em frente!

Suzuki: Ele disse, “Não tem sentido fazer a história de uma creche em um filme.” Eu perguntei a ele “O que você quer dizer?” e ele respondeu “Eu quero fazer uma creche real na nossa empresa!”. Naquela época, muita gente da companhia teve filhos e finalmente fizemos uma creche dentro da empresa. O ekonte (storyboard) da história de Iya Iya En feito por Miyazaki era bem pequeno, então desistimos dele e a creche real será aberta em abril. Ela foi construída perto do atelier do Miayzaki chamado Nibariki (???, 2 cavalos, um nome inspirado no Citroën 2CV, um dos carros do Miyazaki.) Na verdade, por mais de dez anos ele teve vontade de construí-lo. A esposa dele também veio até mim e disse, “Esse é o sonho mais importante do Miyazaki, por favor, ajude-o.” Eu estou cuidando disso, mas enquanto trabalho fico pensando “O que estou fazendo?”.

P: Miyazaki parece realmente gostar de crianças. Por causa disso, é mais fácil de entender Ponyo. Nele, um peixe dourado quer virar humano e parece ser um filme comum mostrando o dia a dia das crianças e seus pais educando-as, certo?

Suzuki: É realmente um filme comum. A estória é muito simples, misturando uma antiga história e A pequena Sereia. Uma jovem peixe está nadando quando prende sua cabeça num pote. Não conseguindo se soltar, ela é levada até a praia e é achada por um garoto de 5 anos. O garoto ajuda-a e eles logo se apaixonam. E para onde a estória vai depois? É como Urashima Taro. Como a história é muito simples, nós estamos nos focando em sua expressão para deixá-la mais complexa e detalhada.

(Nota-GP: Urashima Taro é o nome de um pescador de uma lenda japonesa. Na lenda, o pescador, salva uma tartaruga e em troca, foi lavado a um reino do mar. Apesar de feliz, lá, ele sente saudades de casa e resolve voltar. Ao chegar em sua cidade, descobre que todo que conhecia já haviam morrido e ninguém mais se lembrava dele. Desesperado, ele abre um caixa confiada a ele que fez com que os anos passassem também para ele.)

P: Ouvimos que vocês estão aderindo novamente ao desenho feito à mão.

Suziki: Durante essa década, CG (técnica de desenho digital) apareceu e percebemos que isso nos permitiria fazer expressões mais detalhadas se usada como um suplemento às animações manuais. Por outro lado, um novo problema apareceu. O progresso da tecnologia digital é tão rápido que é difícil de ser acompanhado. Se um filme é feito com a mais nova tecnologia, ele vai ficar desatualizado dentro de pouco tempo. E há mais uma questão. Nós usamos CG em O Castelo Animado. As pernas do castelo, por exemplo, foram feitas assim. Apesar disso a animação não me pareceu natural e eu disse ao Miyazaki que a habilidade dele é melhor que a do computador. Ele aceitou isso e desistiu de usar CG. Por isso, a segunda metade de O Castelo Animado não usa CG. Nós sabemos que CG tem pontos positivos e negativos. O tema desse filme é simples como a estória, assim como os efeitos visuais, o que por outro lado exige um trabalho árduo para que todos os desenhos sejam feitos à mão.

P: Que impressão você tem do filme? Você diria “Você vai com certeza se surpreender!”?

Suzuki: É estúpido dar crédito a um filme incompleto, não é? Apesar disso, eu tenho um palpite de que Ponyo pode virar uma obra-prima.

P: Ouvindo isso, eu também sinto que vai.

Suzuki: Miyazaki basicamente tem um ponto de vista que enxerga a essência dos seres humanos na natureza. Ele também tem o dinamismo das estórias de coragem. Ele consegue manter essas duas habilidades.


P:
O filme tem, então, um resultado diferente comparado com, por exemplo, O Castelo Animado?

Suzuki: Acho que sim. Simples, porém intenso.

P: Eu acho que a nova história do Miyazaki pode começar desse ponto. Acho que o desenho à mão não é, por todo, apenas o resultado, mas também a causa dele.

Suzuki: Talvez sim. Miyazaki não decai, apesar de sempre dizer que está decaindo. É uma mentira. Ele cria as animações por si mesmo. Se alguém mais habilidoso aparecer, ele não vai mais conseguir se manter. Mas ninguém consegue superá-lo. Isso é ao mesmo tempo um prazer e uma preocupação para ele.

P: O Miyazaki ser bom em desenhar aviões, mas como ele desenha a água que simplesmente… existe?

Suzuki: Só por dizer: 80% do filme é o oceano.

P: Mesmo?

Suzuki: As ondas são um tema importante. Ele nunca faz outros desenharem as ondas. Ele desenha todas por si próprio. Ele está pensando para achar um jeito melhor de desenhar as ondas e o mar. Eu não sei se isso funciona bem.


P:
Ouvindo isso, eu sinto que poderemos ver “outro” Miyazaki

Suzuki: O visual do filme está diferente. O público normal pode dizer “Aha… esse é um Miyazaki diferente do qual eu estou acostumado…” Os planos de fundo também estão diferentes. Estão menos manipulados. Eu acho que isso está indo muito bem. Para dizer a verdade, eu quase achei que o Miyazaki estava acabado.

P: *risos* Eu vou incluir no artigo, ok?

Suzuki: Ele já tem 67 anos. Fico imaginando onde ele tinha Escondido essa força tão grande.

P: Quando você achou que ele estava acabado?

Suzuki: Eu não achei exatamente isso. Pensei que as pessoas obrigatoriamente envelhecem. Generalizando, diretores de cinema produzem seus melhores filmes durante seus 40 e poucos anos. Os cinquentões e sessentões geralmente tendem a decair. É possível evitar isso? Miyazaki sempre fala “Até quando posso fazer isso?” Apesar disso, dessa vez ele está fazendo um filme realmente juvenil. Dessa vez ele realmente não usa sua especialidade, a aviação. Mesmo assim, é muito interessante.

P: Estou certo que ele não precisa. Você acha do filme sair mesmo em Julho? Vai dar tudo certo? (O Castelo Animado atrasou 3 meses e não pôde ser lançado nas férias de verão).

Suzuki: Dessa vez estou 100% certo. Eventualmente teremos um atraso, mas será muito sutil. Pode apostar.

 




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